Entrevista: Áldina Chaves Souza

Maranhense, de Barra do Corda, e há 15 anos no Pará, Áldina Chaves, tem a sua história ligada aos movimentos sociais e de reforma agrária. Ela revela as ações que a Associação de desenvolvimento local já implementou em Parauapebas e os planos que os associados têm para o futuro.

RedeAPLmineral: Conta um pouco do trabalho que vocês realizam na ADLISP?

Aldina Souza:
A Associação começou a se organizar entre 2002 e 2004. O nosso trabalho foi realizado com a ajuda fundamental do Sebrae, através da metodologia de Desenvolvimento Local e Integrado e Sustentável (DLIS), por meio de um convênio com a Prefeitura Municipal de Parauapebas. Juntos, fizemos o levantamento do município e chegamos ao resultado de que apesar da taxa de crescimento populacional ser um dos maiores do País, a mão de obra em Parauepebas tem baixa qualificação. As grandes empresas que se instalaram aqui oferecem emprego, mas para quem tem uma qualificação, pois para trabalhar com grande maquinário da mineração, empreiteiras e empresas de infra-estrutura é preciso ter conhecimento técnico. O resultado é um crescimento populacional enorme mas com uma grande massa de gente desempregada.

RedeAPLmineral: Porquê um Arranjo Produtivo Local de base mineral foi fomentado?

Aldina Souza:
Parauapebas está inserido no que é denominado ‘Província Mineral’, que engloba outros dois municípios: Floresta do Araguaia e Curionópolis. Por isso, além da produção de minério, gemas e pedras preciosas, a região já se caracterizava pela presença de empresas informais e organizações coletivas de lapidação de pedras preciosas e semipreciosas e ourivesaria. 

RedeAPLmineral: Como foi o processo de gestão da ADLISP?

Aldina Souza:
Escolheu-se o modelo de gestão da economia solidária com base no associativismo e no cooperativismo. Resolvemos reunir as pessoas em grupos de capacitação que nós chamamos de ‘Grupos Produtivos’. Então elas vêm a ADLISP como autônomos e escolhem entre as opções de capacitação e organização que lhes convém: confecções; artesanato; alimentos; informática; o Cooperjovem só para aprendizes; e as atividades do setor mineral: lapidação e ourivesaria. 

RedeAPLmineral: No caso do ‘grupo produtivo mineral’ como é o trabalho? 

Aldina Souza:
Um trabalhador que chega aqui faz seu curso num espaço de tempo que fica na média de 30 a 45 dias, dependendo do desenvolvimento de cada um. A ADLISP tem cerca de 300 associados, 80 só no grupo de Gemas e Jóias. Na associação, temos capacidade de instalação de 10 bancadas ou 20 pessoas por dia na atividade de lapidação e ourivesaria. Atendemos também os trabalhadores autônomos, e temos capacidade para produzirmos 10 Kg de ouro por mês. 

RedeAPLmineral: O que associação almeja daqui pra frente?

Aldina Souza:
Conseguimos instalar o telecentro aqui em Parauapebas, onde os associados e a comunidade tem à disposição o acesso à internet onde ele(a) pode fazer seus cursos, treinamentos, realizar seus negócios e manter contatos. Bem, nosso objetivo do começo sempre foi a de consolidar o comércio justo e solidário, respeitando e reforçando as condições de competitividade e sustentabilidade de grupos produtivos de micro e pequenos empreendimentos da região. , a ADLISP espera promover o desenvolvimento local com base nos princípios da economia solidária garantia assim, benefícios econômicos, sociais e ambientais; aumento da competitividade dos grupos produtivos; a geração de renda e postos de trabalho; a melhoria da qualidade nas cadeias produtivas, a conservação ambiental, a melhoria da saúde e da educação da população.

RedeAPLmineral: O que estão planejando para realizar essas ações?

Aldina Souza:
Especificamente para o ‘Grupo Produtivo’ do setor mineral, esperamos realizar capacitação na área de negócios, construção das nossas marcas e a certificação dos nossos produtos através da: realização de campanhas de divulgação dos princípios do Comércio Justo e Solidário nas rádios e nos canais de Televisões da Região; Execução de programa de educação para adequar os produtores e os produtos aos princípios do Comércio Justo e Solidário; Implantação de programa de Certificação de produtos; Construção de um catálogo para divulgação dos produtos; Construção de site para venda dos nossos produtos; Realização de desfile de jóias; e Realização de seminário regional sobre economia solidária. Estamos pleiteando, junto às instituições financiadoras, recursos para atingirmos essas metas. Queremos transformar Parauapebas em um grande núcleo de design de jóias.

por: Claudio Almeida

Jornalista da RedeAPLmineral

Fonte: RedeAPLmineral