{"id":751,"date":"2009-03-05T15:05:04","date_gmt":"2009-03-05T18:05:04","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=751"},"modified":"2020-10-21T04:23:30","modified_gmt":"2020-10-21T07:23:30","slug":"entrevista-fernando-souto","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=751","title":{"rendered":"Entrevista: Fernando Souto"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mestre pelo Massachusets Institute of Technology (MIT) e doutor pela universidade de Rice \u2013 Houston, ambos nos EUA, Fernando Souto tem uma hist\u00f3ria de vida dedicada \u00e0 ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o, tecnologia. Ele conversa com a RedeAPLmineral sobre a import\u00e2ncia da normatiza\u00e7\u00e3o, certifica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria nacional. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: Conte-nos um pouco de sua experi\u00eancia acad\u00eamica?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:<\/em><\/strong>&nbsp;Desde muito jovem eu sempre gostei de mexer em coisas el\u00e9tricas: r\u00e1dios port\u00e1teis, pequenos equipamentos. Fui interno do Col\u00e9gio Militar e na \u00e9poca resolvi fazer um curso \u00e0 dist\u00e2ncia de engenharia el\u00e9trica. Foi a\u00ed que come\u00e7ou tudo. Dali me formei na PUC-RJ e tamb\u00e9m ministrei aula no Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica (ITA), antes de &nbsp;fazer mestrado pelo MIT e, posteriormente, doutorado pela universidade de Rice, tudo na \u00e1rea da enfenharia el\u00e9trica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: E no retorno ao Brasil?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:<\/em><\/strong>&nbsp;Quando eu voltei dos EUA, trabalhei com diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e fomento como CNPq, UnB; fui fundador e presidente do Inmetro. Nesse per\u00edodo nosso trabalho foi de implementar bolsas de estudo para mestres e doutores, mas, especialmente, na busca da uni\u00e3o entre o setor privado e a academia. V\u00edamos esses modelos em outros pa\u00edses do mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: Voc\u00ea pode dar um exemplo de modifica\u00e7\u00e3o realizada?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:<\/em><\/strong>&nbsp;Por exemplo, eu queria fazer o que j\u00e1 era feito no ITA: todo professor tinha que ter um trabalho te\u00f3rico e um pr\u00e1tico voltado ao desenvolvimento de produtos. Foi assim que nasceu a primeiro r\u00e1dio FM feito no pa\u00eds, que foi feito em parceria com o ITA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: Conte-nos um pouco do trabalho do Inmetro?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:<\/em><\/strong>&nbsp;O Inmetro foi criado com a seguinte premissa: criar um arcabou\u00e7o Legal, Cientifico e Industrial para a produ\u00e7\u00e3o brasileira. A Metrologia Cient\u00edfica e Industrial \u00e9 uma ferramenta fundamental no crescimento e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Ela ajuda a promover a competitividade, criando um ambiente favor\u00e1vel ao desenvolvimento cient\u00edfico e industrial no pa\u00eds. Atrav\u00e9s da metrologia, que \u00e9 a ci\u00eancia que abrange todos os aspectos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos relativos \u00e0s medi\u00e7\u00f5es, qualquer que seja a incerteza em qualquer campo da ci\u00eancia ou tecnologia.&nbsp;<br>&nbsp;<br><strong><em>RedeAPLmineral: Qual a import\u00e2ncia de se ter medi\u00e7\u00f5es dos produtos?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:&nbsp;<\/em><\/strong>A aferi\u00e7\u00e3o ajuda a promover a competitividade saud\u00e1vel e ajuda a proteger o consumidor. Auxilia na sua escolha, garantindo que o produto adquirido tem a qualidade indicada na sua embalagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>RedeAPLmineral: E qual a import\u00e2ncia da normaliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fernando Souto:&nbsp;<\/strong><\/em>Na normaliza\u00e7\u00e3o existe um conjunto de documentos que dizem mais ou menos o seguinte: eu (produtor) tenho que fazer esses produtos de acordo com as normas que dizem como elas devem ser feitas. Basicamente \u00e9 esse o ponto primordial. Aten\u00e7\u00e3o para o fato de que isso \u00e9 diferente de dizer: eu (produtor) estou fazendo um produto melhor que o do meu concorrente. A normaliza\u00e7\u00e3o estabelece as regras m\u00ednimas de especifica\u00e7\u00f5es para todo mundo que fabrica determinado produto. O importante \u00e9 que essas especifica\u00e7\u00f5es sejam a m\u00e9dia daqueles praticados no mercado. Isso \u00e9 importante para n\u00e3o criar distor\u00e7\u00f5es como uma \u2018super\u2019 norma que exclui a maior parte dos produtores, especialmente os pequenos, do setor. Mas n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel, tamb\u00e9m, criar uma sub-norma que n\u00e3o normatiza coisa alguma e permite que o produto seja feito de qualquer maneira. \u00c9 importante, lembrar tamb\u00e9m da necessidade de se definir muito bem os ensaios necess\u00e1rios para essas especifica\u00e7\u00f5es e as respostas desejadas.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>RedeAPLmineral: Como isso funciona na pr\u00e1tica?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fernando Souto:<\/strong><\/em>&nbsp;Posso dar um exemplo simples para entendermos melhor. No mercado existem diversos fabricantes de DVD. O padr\u00e3o DVD est\u00e1 estabelecido: tantas linhas horizontais por tantas verticais etc&#8230; ent\u00e3o n\u00e3o tem como um fabricante alegar que o DVD dele tem mais linhas assim ou assado. Isto \u00e9 padr\u00e3o da ind\u00fastria. Ele pode alegar que o produto dele uso um sistema \u2018X\u2019 que traz uma qualidade melhor etc. Mas s\u00e3o quest\u00f5es \u2018extra\u2019 especifica\u00e7\u00f5es. As especifica\u00e7\u00f5es para aquele produto foram definidas e acordadas na hora da normaliza\u00e7\u00e3o. Esse tipo de atua\u00e7\u00e3o profissionaliza e generaliza a competitividade em determinado mercado. Isso garante qualidade e seriedade da produ\u00e7\u00e3o bem como tr\u00e1s um resguardo para os consumidores. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: E quanto ao setor mineral?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto:<\/em><\/strong>&nbsp;Na \u00e1rea mineral podemos dar o exemplo de gemas. No Brasil as pedras mais vendidas s\u00e3o: a \u00e1gata, citrino, ametista e o cristal. Agora como voc\u00ea classifica a cor de um ametista? Voc\u00ea n\u00e3o consegue por qu\u00ea n\u00e3o tem norma para isso. Voc\u00ea sabe que a pedra \u00e9 ametista pelos dados f\u00edsicos: densidade, propriedade \u00f3tica, etc. Mas e o valor ? No Rio Grande do Sul voc\u00ea encontra cinco grandes exportadoras de pedra bruta. Cada uma tem a sua classifica\u00e7\u00e3o. E eles sobrevivem pela conquista do mercado. Ent\u00e3o o comprador chega no balc\u00e3o e pede um ametista de cor \u2018Y\u2019. Na outra empresa essa cor \u00e9 totalmente diferente. Se tivesse uma norma geral facilitaria o trabalho para todo mundo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral: Existe um exemplo desse processo em APLs?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fernando Souto<\/em><\/strong>: Um exemplo interessante acontece no APL Cer\u00e2mica Vermelha do Norte Goiano. Os produtores est\u00e3o se esfor\u00e7ando para receber a certifica\u00e7\u00e3o de seus produtos. Isso vai ajudar na abertura de novos mercados. A certifica\u00e7\u00e3o funciona como uma esp\u00e9cie de passaporte para novos mercados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>por Claudio Almeida,<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>jornalista da RedeAPLmineral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte: RedeAPLmineral<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mestre pelo Massachusets Institute of Technology (MIT) e doutor pela universidade de Rice \u2013 Houston, ambos nos EUA, Fernando Souto tem uma hist\u00f3ria de vida dedicada \u00e0 ci\u00eancia, inova\u00e7\u00e3o, tecnologia. Ele conversa com a RedeAPLmineral sobre a import\u00e2ncia da normatiza\u00e7\u00e3o, certifica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria nacional. &nbsp; RedeAPLmineral: Conte-nos um pouco de sua experi\u00eancia acad\u00eamica? 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