{"id":2092,"date":"2011-12-09T15:04:17","date_gmt":"2011-12-09T17:04:17","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=2092"},"modified":"2020-10-14T03:44:09","modified_gmt":"2020-10-14T06:44:09","slug":"projeto-melhora-recuperacao-ambiental-na-mineracao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=2092","title":{"rendered":"Projeto melhora recupera\u00e7\u00e3o ambiental na minera\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>O setor de minera\u00e7\u00e3o costuma colecionar passivos ambientais. No final do ciclo, quando a \u00e1rea explorada \u00e9 regenerada, a solu\u00e7\u00e3o dificilmente foge da implanta\u00e7\u00e3o de lagos ou do plantio de eucalipto e grama. Para dar modernidade \u00e0 pr\u00e1tica, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT) estruturam um projeto in\u00e9dito que procura aliar t\u00e9cnicas de bioengenharia de solo ao conceito de servi\u00e7os ambientais. O foco \u00e9 restabelecer a biodiversidade perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr\u00e1s da iniciativa est\u00e3o a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e a Vale, que fizeram um acordo de coopera\u00e7\u00e3o de at\u00e9 R$ 40 milh\u00f5es para pesquisas nas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o, energia, ecoefici\u00eancia, biodiversidade e produtos ferrosos para a siderurgia. O projeto dos pesquisadores do IPT, com dura\u00e7\u00e3o prevista de 48 meses e investimentos de R$ 800 mil (50% do IPT e o restante dividido entre Fapesp e Vale) se insere neste guarda-chuva e, al\u00e9m do desenvolvimento de uma metodologia de recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, pode resultar em uma patente para o instituto.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mira est\u00e3o \u00e1reas degradadas pela minera\u00e7\u00e3o de pedra, areia e calc\u00e1rio, insumos b\u00e1sicos da constru\u00e7\u00e3o civil. Um estudo de 1997 do ge\u00f3logo Omar Bitar indicava que havia cerca de 250 \u00e1reas degradadas e abandonadas por minera\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo e outras 200 minas ativas \u00e0 \u00e9poca, o que d\u00e1 uma pista do potencial da iniciativa. &#8220;Nossa ideia \u00e9 desenvolver um modelo para estabiliza\u00e7\u00e3o de solo e recomposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas, com manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ambientais&#8221; diz a ge\u00f3loga Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo, pesquisadora do Centro de Tecnologias Ambientais e Energ\u00e9ticas (Cetae), do IPT, e coordenadora do estudo. &#8220;Queremos levar o gancho da sustentabilidade para o final do ciclo de explora\u00e7\u00e3o&#8221;, continua.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de regulamentada desde 1989, a recupera\u00e7\u00e3o das \u00e1reas mineradas ou n\u00e3o acontece ou ocorre de forma prec\u00e1ria. &#8220;Nossa proposta \u00e9 recuper\u00e1-las de maneira diferente, pensando em maximizar os servi\u00e7os ambientais&#8221;, explica a pesquisadora Caroline Almeida Souza, da Se\u00e7\u00e3o de Sustentabilidade de Recursos Florestais do IPT.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa, por um lado, empregar t\u00e9cnicas de bioengenharia de solos, utilizadas normalmente na recupera\u00e7\u00e3o de rodovias ou em margens de rios, mas n\u00e3o na minera\u00e7\u00e3o, ilustra Amarilis Gallardo. Existem pelo menos 23 t\u00e9cnicas do g\u00eanero e que usam elementos da natureza em \u00e1reas a recuperar. Plantas inteiras, caules e ramos, tocos e pedras, por exemplo, s\u00e3o encravados no solo e d\u00e3o refor\u00e7o, servem como drenos hidr\u00e1ulicos ou barreiras que evitam movimentos do terreno. O uso de materiais artificiais \u00e9 minimizado e a prefer\u00eancia \u00e9 para recursos naturais que podem ser encontrados na regi\u00e3o, evitando o transporte, a emiss\u00e3o de gases estufa e produzindo menor impacto.<\/p>\n\n\n\n<p>A outra ponta \u00e9 o foco nos servi\u00e7os ambientais que podem ser obtidos com o restauro adequado da regi\u00e3o. Esp\u00e9cies nativas ser\u00e3o prioridade na recomposi\u00e7\u00e3o da biodiversidade. &#8220;Queremos agregar valor \u00e0 atividade&#8221;, diz Amarilis Gallardo. No futuro, o maior comprometimento do setor com o ambiente pode ser uma entrada para sistemas de pagamento por servi\u00e7os ambientais ou mercados de carbono. O trabalho come\u00e7ar\u00e1 com a escolha de duas \u00e1reas onde os modelos de recomposi\u00e7\u00e3o ser\u00e3o testados. A ideia do grupo de seis pesquisadores \u00e9 desenvolver indicadores ambientais e par\u00e2metros de avalia\u00e7\u00e3o do desempenho, e, depois, criar um modelo que possa ser repetido em outros lugares do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o ser\u00e1 uma panac\u00e9ia para todos os problemas da minera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz a engenheira florestal Caroline Souza, lembrando que, por outro lado, o setor tem muito potencial para se tornar mais sustent\u00e1vel. &#8220;O legado deste projeto ser\u00e1 algo maior, estamos formando recursos humanos&#8221;, continua Caroline. O projeto inclui, al\u00e9m da equipe do IPT, o trabalho de nove bolsistas de mestrado e doutorado.<br><br><strong>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor de minera\u00e7\u00e3o costuma colecionar passivos ambientais. 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