{"id":1923,"date":"2011-07-18T14:16:56","date_gmt":"2011-07-18T17:16:56","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1923"},"modified":"2020-10-14T01:08:15","modified_gmt":"2020-10-14T04:08:15","slug":"ameaca-a-obras-historicas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1923","title":{"rendered":"Amea\u00e7a a obras hist\u00f3ricas"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil tem sabido aproveitar a alta das cota\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas no mercado internacional. O min\u00e9rio de ferro, por exemplo, consolida a sua posi\u00e7\u00e3o como o principal item da pauta de exporta\u00e7\u00f5es. De janeiro a maio deste ano, as vendas de min\u00e9rio renderam US$ 14,89 bilh\u00f5es, 107,27% a mais que no mesmo per\u00edodo de 2010. Contudo, h\u00e1 preocupa\u00e7\u00f5es com os efeitos ambientais da explora\u00e7\u00e3o mineral em \u00e1reas habitadas, que s\u00e3o tanto mais sens\u00edveis quando h\u00e1 amea\u00e7a de deteriora\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico, art\u00edstico e religioso do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso exemplar \u00e9 o de Congonhas (MG), onde se localiza o conjunto barroco do Santu\u00e1rio do Bom Jesus de Matosinhos, declarado patrim\u00f4nio da humanidade pela Unesco. H\u00e1 alguns anos, a CSN vem explorando a mina de Casa de Pedra nas cercanias da cidade, com grandes inconvenientes para a popula\u00e7\u00e3o local, devido ao lan\u00e7amento de nuvens de poeira, que causa problemas respirat\u00f3rios e deixa o casario encardido. Tem havido protestos, mas nada de efetivo foi feito, nem para evitar danos ao santu\u00e1rio, onde est\u00e3o pinturas de Mestre Ata\u00edde, e ao adro, com as esculturas em pedra sab\u00e3o de 12 profetas e 2 fileiras de pequenas capelas com imagens em madeira, as principais obras do Aleijadinho.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 agora, a CSN vinha explorando as jazidas de Casa de Pedra que ficam atr\u00e1s dos morros que circundam o n\u00facleo urbano. A empresa planeja agora uma expans\u00e3o que exigiria a escava\u00e7\u00e3o da montanha que fica diante da cidade, tornando ainda mais graves os problemas ambientais e acabando com a silhueta que caracteriza o local. Como noticiou o Estado (11\/7), houve uma manifesta\u00e7\u00e3o de protesto h\u00e1 cerca de um m\u00eas, quando se formou um cintur\u00e3o humano em torno da serra, para dramatizar a necessidade de prote\u00e7\u00e3o daquele s\u00edtio. A explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio a c\u00e9u aberto pode p\u00f4r abaixo o morro, comprometendo tamb\u00e9m o fornecimento de \u00e1gua ao munic\u00edpio, que depende de riachos das nascentes ali situadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, a serra foi tombada por lei municipal, que previa a necessidade de levantamento espec\u00edfico para delimitar a \u00e1rea a ser preservada. Um novo projeto agora deve ser votado pela C\u00e2mara de Vereadores para tentar estabelecer limites precisos ao avan\u00e7o da mineradora. O que se estranha \u00e9 que, at\u00e9 agora, a quest\u00e3o venha sendo tratada apenas no \u00e2mbito municipal ou regional. O caso \u00e9 grave o suficiente para determinar uma a\u00e7\u00e3o pelo Ibama em articula\u00e7\u00e3o com o Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Hist\u00f3rico Nacional (Iphan) e o governo de Minas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m contesta os benef\u00edcios que a minera\u00e7\u00e3o pode trazer para a economia local e para o Estado e o Pa\u00eds. Segundo protocolo de inten\u00e7\u00f5es assinado pela CSN com o governo de Minas, a companhia prometeu investir, junto com sua parceira Namisa, um total de R$ 16 bilh\u00f5es em suas opera\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. Al\u00e9m de elevar a produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio para 89 milh\u00f5es de toneladas por ano em 2015, a CSN e a Namisa t\u00eam planos para tocar, em cons\u00f3rcio com grupos asi\u00e1ticos, projetos de concentra\u00e7\u00e3o e pelotiza\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio, constru\u00e7\u00e3o de uma usina de a\u00e7os longos e uma cimenteira. Tudo isso concorrer\u00e1 para acelerar o desenvolvimento da regi\u00e3o, com gera\u00e7\u00e3o de milhares de empregos diretos e indiretos. A CSN est\u00e1 consciente dos problemas causados e, em audi\u00eancia p\u00fablica, apresentou \u00e0 comunidade local estudos sobre os impactos paisag\u00edsticos e climatol\u00f3gicos de suas opera\u00e7\u00f5es. Mas n\u00e3o satisfez a popula\u00e7\u00e3o, que simplesmente, no dizer de um habitante de Congonhas, n\u00e3o entendeu a terminologia t\u00e9cnica empregada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, h\u00e1 necessidade de melhor comunica\u00e7\u00e3o por parte da CSN e outras empresas que atuam naquela regi\u00e3o. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. \u00c9 essencial tamb\u00e9m um planejamento conjunto das empresas, prefeituras da regi\u00e3o e \u00f3rg\u00e3os dos governos estadual e federal para reduzir ao m\u00ednimo os riscos ambientais e proporcionar \u00e0s cidades que, como Congonhas, vivem um novo ciclo de minera\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o contra a polui\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura. E, sobretudo, \u00e9 preciso preservar um patrim\u00f4nio cultural que n\u00e3o tem pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;O Estado de S.Paulo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem sabido aproveitar a alta das cota\u00e7\u00f5es de mat\u00e9rias-primas no mercado internacional. O min\u00e9rio de ferro, por exemplo, consolida a sua posi\u00e7\u00e3o como o principal item da pauta de exporta\u00e7\u00f5es. De janeiro a maio deste ano, as vendas de min\u00e9rio renderam US$ 14,89 bilh\u00f5es, 107,27% a mais que no mesmo per\u00edodo de 2010. 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