{"id":1805,"date":"2011-05-04T17:13:56","date_gmt":"2011-05-04T20:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1805"},"modified":"2020-10-20T23:22:39","modified_gmt":"2020-10-21T02:22:39","slug":"escritor-conta-a-historia-da-mineracao-de-aluminio-no-para","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1805","title":{"rendered":"Escritor conta a hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o de alum\u00ednio no Par\u00e1"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O Estado do Par\u00e1 cresceu com a explora\u00e7\u00e3o de seus recursos minerais. Sua hist\u00f3ria possui altos e baixos, como a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos produtos que mant\u00eam sua economia. As grandes obras, como a Ferrovia de Caraj\u00e1s, foram constru\u00eddas para impulsionar o mercado e levar os produtos para outras regi\u00f5es e ajudaram o boom de Parauapebas, que se consolidou como o maior munic\u00edpio minerador de ferro do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a disponibilidade de terras ofertada pelo governo e a riqueza do solo chegaram empresas estrangeiras ao local, criando mais oportunidades de neg\u00f3cios e ampliando a renda por meio da exporta\u00e7\u00e3o de produtos. Como \u00e9 de costume, esses benef\u00edcios somente n\u00e3o chegaram para as classes trabalhadoras que assistiam ao avan\u00e7o do lucro das empresas ao mesmo tempo em que seus direitos e vantagens trabalhistas iam se perdendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo narra Manuel Paiva, as empresas quando percebiam que seus trabalhadores iriam apresentar algum problema de sa\u00fade chegavam a oferecer dinheiro para que estes pedissem demiss\u00e3o. Ele afirma tamb\u00e9m que eram dadas &#8220;oportunidades&#8221; para estas pessoas, como por exemplo, a recomenda\u00e7\u00e3o de que comprassem carrinhos de cachorros-quentes ou abrissem um lava-jato.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas e muitas outras hist\u00f3rias s\u00e3o contadas no livro Alum\u00ednio na Amaz\u00f4nia: sa\u00fade do trabalhador, meio ambiente e movimentos sociais, organizado pela rede F\u00f3rum Caraj\u00e1s. O livro foi lan\u00e7ado em Bel\u00e9m no dia 24 de agosto, na sede Unipop, quando acontecia a reuni\u00e3o do F\u00f3rum da Amaz\u00f4nia Oriental (FAOR). O pr\u00f3ximo lan\u00e7amento ser\u00e1 realizado no dia 24 deste m\u00eas, na Vila dos Cabanos, em Barcarena (PA).<\/p>\n\n\n\n<p>Paiva \u00e9 engenheiro ambiental, ex-presidente do Sindicato dos Qu\u00edmicos de Barcarena e trabalha da Alunorte h\u00e1 14 anos. Ele tamb\u00e9m participou da elabora\u00e7\u00e3o do livro, recuperando a hist\u00f3ria e a trajet\u00f3ria dos Qu\u00edmicos de Barcarena. O livro pretende ser mais do que um simples registro, pretende se tornar uma ferramenta para a garantia dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do setor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; Porque fazer um livro que fala sobre a minera\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, mais especificamente no estado do Par\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Manuel Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;Barcarena fica em linha reta, h\u00e1 40 km de Bel\u00e9m, e hoje \u00e9 um p\u00f3lo industrial. Tem produ\u00e7\u00e3o de alumina e alum\u00ednio e popula\u00e7\u00e3o em torno de 20 mil habitantes. Em 1985 come\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio, que na verdade era pra ser primeiro alumina, mas por quest\u00f5es de mercado e de pre\u00e7o que n\u00e3o se apontaram vi\u00e1veis, ficaram 10 anos com a fabrica parada e comprando alumina do Suriname, para produzir o alum\u00ednio. Depois de dez anos, em 1995, partiu a Alunorte j\u00e1 produzindo a alumina, da\u00ed fechou o ciclo da cadeia produtiva no Par\u00e1, com a extra\u00e7\u00e3o da bauxita l\u00e1 em Trombetas e fechando o ciclo aqui em Barcarena com a exporta\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de Barcarena, que se dava em decorr\u00eancia da agricultura, da pesca e da coleta de frutos a partir da d\u00e9cada de 1980, de 85 pra frente muda com a produ\u00e7\u00e3o do alum\u00ednio, que trouxe muita gente de fora. Vieram com a expectativa do projeto [das empresas mineradoras] e Barcarena passou a ter uma expans\u00e3o demogr\u00e1fica muito grande e sem controle, em decorr\u00eancia da expectativa de empregos que o projeto gerava. Para atender as pessoas a f\u00e1brica fez um conjunto muito acanhado, com poucas casas, que nem no inicio era suficiente para acomodar todos os seus funcion\u00e1rios. Dessa forma, os funcion\u00e1rios que sa\u00edram da constru\u00e7\u00e3o, quando a constru\u00e7\u00e3o acabou para come\u00e7ar a operacionalizar, acabaram ficando e ocupando alguns terrenos, alguns aqui, outros ali, e houve ocupa\u00e7\u00f5es em torno da Vila dos Cabanos, que \u00e9 o n\u00facleo fabricado pela companhia Vale do Rio Doce, que at\u00e9 ent\u00e3o era estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 97, com a privatiza\u00e7\u00e3o da Vale do Rio Doce, acontece uma mudan\u00e7a na estrutura da empresa. N\u00e3o houve mais constru\u00e7\u00e3o de casa e, antes pra vir pra c\u00e1 tivemos algumas ofertas, como por exemplo: col\u00e9gio gr\u00e1tis, transporte pra levar e trazer os filhos para o col\u00e9gio, passagem de \u00f4nibus, de barco, assist\u00eancia m\u00e9dica, inclusive nossos pais tinham direitos no plano de sa\u00fade, e muitas outras coisas que ao longo do tempo fomos perdendo. Mesmo com a empresa crescendo, se desenvolvendo e expandido, come\u00e7aram a cortar esses benef\u00edcios, e outros eles passaram a &#8220;dividir&#8221; com os trabalhadores. Passaram a ter uma &#8220;participa\u00e7\u00e3o&#8221; que n\u00e3o tinham antes, por exemplo, pagar vinte, trinta reais para colocar o filho nos col\u00e9gios, tiraram os \u00f4nibus escolares, n\u00e3o tem mais passagem de \u00f4nibus ou de barco. Tudo \u00e9 por nossa conta. Hoje pagamos aluguel, \u00e1gua, luz&#8230; Ent\u00e3o, houve primeiramente uma oferta pra que voc\u00ea pudesse vir pra c\u00e1, porque voc\u00ea estava deslocado dos grandes centros. Se n\u00e3o tivessem essas ofertas as pessoas n\u00e3o teriam vindo por causa do projeto, e vieram de longe: S\u00e3o Paulo, Minas e Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea for analisar, hoje a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima do que significa os trabalhos que s\u00e3o caracterizados de escravo nas fazendas. A pessoa vai pra l\u00e1 e fica em um clico vicioso, fica devendo para o padr\u00e3o e tudo o que ela ganha \u00e9 para o patr\u00e3o. O que aconteceu \u00e9 isso. Hoje a gente paga o aluguel pra empresa, paga uma parte na assist\u00eancia m\u00e9dica, paga uma parte no col\u00e9gio. \u00c9 tudo entorno da pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; E este \u00e9 o cen\u00e1rio que se encontra atualmente nas f\u00e1bricas de alumina e alum\u00ednio no Par\u00e1?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;O cen\u00e1rio atual n\u00e3o \u00e9 muito agrad\u00e1vel, porque as empresas n\u00e3o se preocupam com a manuten\u00e7\u00e3o dos empregos, mas tamb\u00e9m tem a quest\u00e3o do governo que nunca discutiu a verticaliza\u00e7\u00e3o. Hoje com essa crise que se instalou, est\u00e3o ocorrendo muitas demiss\u00f5es e o que nos entristece \u00e9 que parece que quem vai resolver o problema da crise s\u00e3o os trabalhadores demitidos. E n\u00e3o \u00e9 isso.<\/p>\n\n\n\n<p>O que era para ter sido feito h\u00e1 muitos anos era a verticaliza\u00e7\u00e3o. Em 2004 n\u00f3s fizemos uma pesquisa pelo sindicato e conseguimos identificar que enquanto a empresa prim\u00e1ria empregava 1.300 trabalhadores, a montagem no Jap\u00e3o com o mesmo alum\u00ednio que ia daqui pra l\u00e1, empregava 12 mil. Uma diferen\u00e7a muito grande. Os empregos que deveriam ser criados aqui no nosso pa\u00eds, no nosso estado, acabam sendo criados l\u00e1 fora. Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o h\u00e1 uma discuss\u00e3o da verticaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, seja do alum\u00ednio, do cobre, do a\u00e7o, do l\u00edquido e de qualquer tipo de produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s estamos fazendo essa discuss\u00e3o pela CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), em n\u00edvel de Bras\u00edlia e estamos fazendo em n\u00edvel de estado. A governadora come\u00e7a a ensaiar essa discuss\u00e3o, mas no livro a gente j\u00e1 fala sobre isso. Temos aqui no Par\u00e1 o cobre, o nitro, o a\u00e7o, o mangan\u00eas, temos a bauxita, temos o alumina, temos o caulim&#8230; Imagina todas essas produ\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias sendo industrializadas, gerariam muitos empregos. A grande discuss\u00e3o hoje para essa crise seria isso, a verticaliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o permitir somente que nosso produto seja exportado de forma prim\u00e1ria. Esse seria o grande desafio para n\u00f3s podermos gerar emprego para esses milh\u00f5es de pais de fam\u00edlias desempregados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; E voc\u00ea acha que essa verticaliza\u00e7\u00e3o tem chances de acontecer?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;Tem, mas tem que ser feita uma discuss\u00e3o muito t\u00e9cnica. Porque quando estivemos em 2005 na Alemanha participando do semin\u00e1rio do alum\u00ednio, vimos como \u00e9 que esses compradores do alumina prim\u00e1rio se comportam diante dessa discuss\u00e3o. \u00c9 como se eles fossem mantenedores das f\u00e1bricas daqui e n\u00f3s n\u00e3o tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es de tocar sem essa participa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o \u00e9 verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos condi\u00e7\u00f5es de fazer a exporta\u00e7\u00e3o. Por exemplo, n\u00f3s temos aqui em Barcarena s\u00f3 uma vertical, que \u00e9 a Alubar, ela faz aqueles cabos de alta tens\u00e3o de alum\u00ednio. Como n\u00f3s temos uma facilidade pelo fato do alum\u00ednio ser produzido aqui, tem um ganho muito grande, quando for fazer uma rela\u00e7\u00e3o custo benef\u00edcio te favorece, porque pega esse alum\u00ednio em l\u00edquido, quando voc\u00ea manda barra, voc\u00ea vai ter que ter formes para, de novo, dissolver esse alum\u00ednio, transformar ele em l\u00edquido pra poder trabalhar. E aqui n\u00e3o haveria necessidade, porque voc\u00ea transporta em l\u00edquido.<\/p>\n\n\n\n<p>O que tem que haver \u00e9 a contrapartida do munic\u00edpio em rela\u00e7\u00e3o a terras. E alguns subs\u00eddios e alguns impostos, mas em contrapartida voc\u00ea est\u00e1 gerando emprego e automaticamente voc\u00ea est\u00e1 gerando impostos. Voc\u00ea n\u00e3o gera impostos diretos, mas voc\u00ea gera impostos com o dinheiro que vai girar dos trabalhadores dentro do pr\u00f3prio munic\u00edpio.<\/p>\n\n\n\n<p>Barcarena n\u00e3o ganha royalties, porque pela lei do DNPM (Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral) s\u00f3 ganha royalties quem explora, quem industrializa n\u00e3o ganha e Barcarena industrializa a bauxita, industrializa o caulin, industrializa o mangan\u00eas, mas n\u00e3o ganha royalties, porque n\u00e3o explora. Ent\u00e3o n\u00f3s estamos s\u00f3 enterrando os dejetos e isso est\u00e1 gerando um passivo que n\u00e3o teremos fundo de reservas para trabalhar no futuro. Nenhum fundo, n\u00f3s n\u00e3o temos nenhuma pesquisa, nenhum dinheiro destinado para a pesquisa para o futuro. S\u00f3 pra voc\u00ea ter uma id\u00e9ia, em 2009 n\u00f3s vamos enterrar mais de 10 milh\u00f5es de toneladas de rejeitos no sul de Barcarena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; Tamb\u00e9m existem os problemas de sa\u00fade dos trabalhadores das ind\u00fastria de min\u00e9rio&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;O sindicato dos metal\u00fargicos aqui de Barcarena, que agora foi municipalizado, foi criado 10 anos antes do nosso, ent\u00e3o como n\u00f3s criamos o sindicato dos qu\u00edmicos, muitos trabalhadores ligados a esse sindicato, pelo fato de n\u00e3o fazerem uma discuss\u00e3o sobre a sa\u00fade do trabalhador, acabaram nos procurando e come\u00e7amos a mapear esses trabalhadores, come\u00e7amos a fazer um banco de dados, e quando chegaram para fazer a pesquisa da Fiocruz foi nesse banco de dados que eles conseguiram as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizeram o mapeamento, levantamento, entrevistas e conversas. E come\u00e7aram a atualizar laudos, principalmente dos trabalhadores que j\u00e1 tinham sa\u00eddo adoecidos pra saber como se encontrava a sa\u00fade daquele trabalhador. Dentro do trabalho deles, da Fiocruz atrav\u00e9s do trabalho do Dr. Hermano Albuquerque de Castro, foi que eles realizaram o diagn\u00f3stico da sa\u00fade dos trabalhadores, que se encontra dispon\u00edvel no livro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; E quais s\u00e3o os principais problemas de sa\u00fade que os trabalhadores sofrem ao trabalhar com minera\u00e7\u00e3o? Quais as principais doen\u00e7as que surgem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;Geralmente \u00e9 problema de coluna, articula\u00e7\u00f5es, tendinite, bursite, uma s\u00e9rie&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; O senhor falou que muitos trabalhadores est\u00e3o sendo demitidos e que est\u00e1 acontecendo uma perda gradual dos seus direitos trabalhista, ent\u00e3o esses trabalhadores recebem algum apoio da empresa quando s\u00e3o mandados embora?<\/p>\n\n\n\n<p>Paiva &#8211; N\u00e3o. Logo nas primeiras demiss\u00f5es, o que houve na verdade foram ofertas para que os trabalhadores pudessem deixar a empresa. Existe, \u00e9 normal? \u00c9. E at\u00e9 legal. O PDV, Plano de Demiss\u00e3o Volunt\u00e1ria. Os primeiros trabalhadores que foram demitidos foram na verdade um &#8220;Plano de Demiss\u00e3o Indicado&#8221;. At\u00e9 uma lista que a OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho) condenou, das empresas que j\u00e1 mapeavam os trabalhadores, pegavam o peri\u00f3dico do trabalhador, viam que ele ia apresentar um problema daqui a dois ou tr\u00eas anos e oferecia um valor para que ele pudesse sair da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso aconteceu aqui logo no come\u00e7o. Detectamos que havia algo com aqueles trabalhadores que estavam pedindo para deixar a empresa. Porque n\u00e3o era assim&#8230; Se eu quisesse sair, chegasse l\u00e1 e me habilitasse a sair, n\u00e3o, eram s\u00f3 aquelas pessoas que estavam na lista para poderem sair. Eles diziam o seguinte: &#8216;Olha voc\u00ea tem 10 mil, (chegou at\u00e9 a 35 mil) pra voc\u00ea deixar a empresa e voc\u00ea tem 15 dias para decidir. Se voc\u00ea n\u00e3o deixar a empresa nesses 15 dias, voc\u00ea vai sair sem levar esse dinheiro&#8217;. E ainda davam uma alternativa: &#8216;voc\u00ea pode colocar um carro de cachorro quente&#8217;, &#8216;voc\u00ea pode ir comprar um taxi&#8217;, &#8216;voc\u00ea pode comprar um lava jato&#8217;. O que se detectou depois em uma pesquisa \u00e9 que a grande maioria desses trabalhadores n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es nenhuma de ter mais uma atividade normal, eles estavam prejudicados, ou por coluna, ou por articula\u00e7\u00f5es ou por alguma outra doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; Pensando nas dificuldades que essas empresas tem para respeitar os direitos trabalhistas e tamb\u00e9m nos passivos ambientais que s\u00e3o gerados, existem alguma possibilidade de se produzir min\u00e9rio na Amaz\u00f4nia de forma sustent\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;Existe sim. O que aconteceu na Amaz\u00f4nia na verdade, na d\u00e9cada de 1980, 1970 e ainda dentro do regime militar \u00e9 que foram abertas de qualquer forma, e as empresas que tinham um programa com rela\u00e7\u00e3o, as empresas de transforma\u00e7\u00e3o que tinham muito consumo de energia, que tinham um problema de energia el\u00e9trica no Jap\u00e3o, na Europa, o que elas fazem, como elas viram a facilidade que tem aqui&#8230; m\u00e3o de obra barata, n\u00e3o pagam \u00e1gua, energia subsidiada, a custos praticamente zero. O que elas fizeram? Elas come\u00e7aram a fechar essas empresas, chamadas de Mecanismos de Desenvolvimento Sujo, MDS, e ficaram somente com as de transforma\u00e7\u00e3o que era somente de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o teve nenhuma forma de preocupa\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade do trabalhador, com o meio ambiente.O que precisa hoje \u00e9 mudar esse modelo, \u00e9 n\u00e3o aceitar esse modelo. Hoje para uma empresa se instalar l\u00e1 na Amaz\u00f4nia primeiro precisa discutir o que vai fazer com o rejeito, porque n\u00e3o existe produ\u00e7\u00e3o que n\u00e3o gera rejeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a primeira coisa que n\u00f3s temos que fazer \u00e9 pensar o que vamos fazer com esse rejeito, que tipo de rejeito n\u00f3s estamos gerando, qual o tipo de agente que ele tem agressivo ao meio ambiente, agressivo a camada de oz\u00f4nio, que possa contribuir com o aquecimento global&#8230; e isso que n\u00f3s temos que fazer, porque n\u00e3o podemos aproveitar que a Amaz\u00f4nia tem todo esse espa\u00e7o aqui, e deixar que as empresas simplesmente se instalem aqui e saiam cavando buracos. N\u00f3s temos aqui hoje, s\u00f3 pra voc\u00ea ter uma id\u00e9ia, de bacia deles, voc\u00ea imagina de uns 5 a 10 maracan\u00e3s como bacia de rejeitos. Sem a gente saber que tipo de rejeito tem ali, que tipo de elementos qu\u00edmicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea sabe que um elemento qu\u00edmico em contato com outro gera um terceiro elemento. O que isso est\u00e1 gerando? Eu n\u00e3o sei. Se voc\u00ea perguntar hoje quais os tipos de elementos qu\u00edmicos que a gente tem em cada regi\u00e3o das empresas aqui em Barcarena, ou em qualquer lugar que voc\u00ea for na Amaz\u00f4nia, voc\u00ea n\u00e3o vai saber. Nem os pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, os \u00f3rg\u00e3os de licenciamento n\u00e3o s\u00e3o aparelhados o suficiente para fazer esse tipo de an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; Uma \u00faltima pergunta sobre a hidrel\u00e9trica de Belo Monte, j\u00e1 que ela est\u00e1 prevista no PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento) do governo federal. Alguns movimentos sociais dizem que o intuito desse projeto \u00e9 atender as demandas das empresas mineradoras&#8230;.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;&nbsp;<\/strong>Isso! Principalmente produtoras de alum\u00ednio e alumina.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Amaz\u00f4nia.org.br &#8211; O senhor concorda com esta vis\u00e3o? Como esta este debate dentro dos movimentos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Paiva &#8211;<\/strong>&nbsp;Eu acho que o que est\u00e1 ficando para a Amaz\u00f4nia, para o estado do Par\u00e1 e para o Brasil \u00e9 muito pouco. N\u00f3s temos Tucuru\u00ed aqui gerando energia e mandando pro Maranh\u00e3o, para produzir alum\u00ednio l\u00e1 na Alumar do Maranh\u00e3o a pre\u00e7o praticamente zero. E n\u00f3s pagamos a conta. N\u00f3s paraenses pagamos a segunda maior taxa de energia do Brasil. Um absurdo. Enquanto muita gente no bairro do linh\u00e3o n\u00e3o tem energia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse projeto vem na verdade para atender ao capital internacional. Essa briga que est\u00e1 por Belo Monte \u00e9 pra justificar a Alcoa l\u00e1 em Juruti. Porque a Alcoa est\u00e1 s\u00f3 exportando, mas a partir do momento que tiver Belo Monte concretizada eles v\u00e3o produzir alum\u00ednio e alumina l\u00e1 em Juruti. A gente n\u00e3o viu nenhum resultado positivo para n\u00f3s, at\u00e9 porque o n\u00famero de empregos, como eu te falei anda a pouco, \u00e9 muito reduzido, o que gera emprego \u00e9 a industrializa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela beleza e import\u00e2ncia que o rio Xingu tem para as comunidades ind\u00edgenas, e para as comunidades ribeirinhas e para o munic\u00edpio de Altamira, eu que particularmente tive a oportunidade de andar o rio Xingu todo, de ponta a ponta, n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel uma usina hidrel\u00e9trica no rio Xingu.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>Fonte: www.riosvivos.org.br<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado do Par\u00e1 cresceu com a explora\u00e7\u00e3o de seus recursos minerais. Sua hist\u00f3ria possui altos e baixos, como a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos produtos que mant\u00eam sua economia. As grandes obras, como a Ferrovia de Caraj\u00e1s, foram constru\u00eddas para impulsionar o mercado e levar os produtos para outras regi\u00f5es e ajudaram o boom de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-1805","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1805","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1805"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1805\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3129,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1805\/revisions\/3129"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1805"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1805"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1805"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}