{"id":1068,"date":"2008-05-24T13:07:00","date_gmt":"2008-05-24T16:07:00","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1068"},"modified":"2020-10-21T03:33:40","modified_gmt":"2020-10-21T06:33:40","slug":"o-ouro-branco-do-araripe","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1068","title":{"rendered":"O ouro branco do Araripe"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Pernambuco possui 30% das reservas de gipsita do pa\u00eds e produz 95% do gesso consumido. O p\u00f3lo emprega 12 mil pessoas diretamente e cerca de 64 mil de forma indireta, segundo dados do Sindicato das Ind\u00fastrias de Gesso (Sindugesso). O faturamento das empresas alcan\u00e7a aproximadamente R$ 640 milh\u00f5es por ano.<br><br>A gipsita serve de mat\u00e9ria-prima para diversas ind\u00fastrias. O min\u00e9rio pode ser usado na agricultura, como corretivo para o solo, e depois de calcinado serve para a fabrica\u00e7\u00e3o de cimento e gesso para a constru\u00e7\u00e3o civil, moldes cer\u00e2micos, nas ind\u00fastrias de j\u00f3ias e automotiva, na medicina, na odontologia, entre outras.<br><br>Mesmo com todas essas possibilidades, no Brasil o produto ainda \u00e9 pouco utilizado, se comparado \u00e0 Europa e Estados Unidos. Enquanto aqui o consumo \u00e9 de 15 kg por habitante\/ano, na Europa esta propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 80 kg\/hab\/ano e nos Estados Unidos &#8211; o maior consumidor de gesso do mundo &#8211; chega a 118 kg\/hab\/ano.<br><br>&#8220;Nossa cultura de constru\u00e7\u00e3o \u00e9 portuguesa, de pedra, de casas que t\u00eam que durar cem anos. Nos Estados Unidos e na Europa h\u00e1 uma mobilidade maior. Mas a perspectiva \u00e9 que com as novas tecnologias a gente consiga conquistar mais espa\u00e7o na constru\u00e7\u00e3o civil, que hoje em dia ainda faz paredes muito pesadas&#8221;, destaca o presidente do Sindugesso, Josia Inojosa Filho.<br><br>No Brasil o gesso ainda \u00e9 pouco utilizado, se comparado \u00e0 Europa e Estados Unidos. Aqui o consumo \u00e9 de 15 kg por habitante\/ano. Na Europa \u00e9 de 80 kg e EUA de 118 kg<br><br>De acordo com Inojosa, a expectativa \u00e9 que o consumo cres\u00e7a em torno de 15% a 20% este ano. &#8220;O Sudeste consome 45% do gesso produzido no Brasil. O consumo per capita deve passar para 17 kg por habitante por ano. Em Pernambuco, deve ir de 4% para 7% do total, devido ao aumento do uso na constru\u00e7\u00e3o civil e em outras atividades&#8221;.<br><br>Qualidade &#8211; A coordenadora do Laborat\u00f3rio de Tecnologia do Gesso do Instituto Tecnol\u00f3gico de Pernambuco, Katarzyna Michalewicz, trabalha visando a qualifica\u00e7\u00e3o do produto e das empresas do p\u00f3lo. &#8220;Estamos fazendo um treinamento em 15 empresas para que elas possam competir, exportando para o mercado europeu&#8221;, conta.<br><br>Segundo Katarzyna, o grande problema para a maior populariza\u00e7\u00e3o do gesso \u00e9 a m\u00e3o-de-obra. &#8220;Quando uma parede de alvenaria cai, voc\u00ea coloca a culpa no pedreiro, mas quando uma parede de gesso cai, voc\u00ea coloca a culpa no gesso. E n\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 preciso qualificar os profissionais para trabalharem com o gesso&#8221;, defende.<br><br>Dificuldade no escoamento<br><br>Entre os grandes entraves para o crescimento do P\u00f3lo Gesseiro est\u00e1 a dificuldade de escoamento da produ\u00e7\u00e3o. Com minas de gipsita com maior pureza do mundo (96%), o p\u00f3lo tem um potencial que hoje \u00e9 limitado pela falta de alternativas de transporte. &#8220;O grande futuro dali vai ser a Transnordestina. Com a ferrovia, as empresas v\u00e3o poder escoar a produ\u00e7\u00e3o de forma mais f\u00e1cil. O custo com transporte \u00e9 muito alto e impede o setor de ser competitivo&#8221;, avalia o economista Jos\u00e9 Vergolino, da Faculdade de Boa Viagem.<br><br>Segundo dados do Sindugesso, o custo da tonelada de gesso agr\u00edcola, hoje, por exemplo, \u00e9 de R$ 19, mas o frete rodovi\u00e1rio para trazer ao Recife pode chegar a R$ 65\/ton. O mesmo acontece com o escoamento da produ\u00e7\u00e3o para a ind\u00fastria de cimento.<br><br>&#8220;Com a Transnordestina, fazendo a liga\u00e7\u00e3o entre as regi\u00f5es com o transporte multimodal, utilizando trem e navio, a tend\u00eancia \u00e9 triplicar o que \u00e9 produzido. O que s\u00e3o entre 400 mil e 600 mil toneladas\/ano, tem potencial de se transformar em at\u00e9 1,8 milh\u00e3o de toneladas\/ano, s\u00f3 para a ind\u00fastria de cimento. Levamos entre sete e dez dias entre o pedido e a entrega do produto no Sudeste. Com a ferrovia poder\u00edamos ter um centro de distribui\u00e7\u00e3o&#8221;, aponta Josias Inojosa Filho, presidente do sindicato.<br><br>Ele critica o andamento da obra da Transnordestina. &#8220;Est\u00e1 a passos de tartaruga. Um processo extremamente lento e que vira uma preocupa\u00e7\u00e3o. A obra conclu\u00edda est\u00e1 prometida para 2010, mas agora j\u00e1 se fala em 2012. A princ\u00edpio nos faz parecer que n\u00e3o h\u00e1 prioridade para a execu\u00e7\u00e3o, tanto da Companhia Ferrovi\u00e1ria Nacional (CFN), quanto do governo federal&#8221;, reclama.<br><br>A Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN), que controla a CFN, respons\u00e1vel pela obra, disse que n\u00e3o iria se manifestar sobre os coment\u00e1rios, afirmando apenas que &#8220;est\u00e1 cumprindo o seu papel&#8221;.<br><br>Quando estiver pronta, a Transnordestina ter\u00e1 1.860 quil\u00f4metros, ligando os portos de Pec\u00e9m (CE) e Suape (PE) a Eliseu Martins, no Piau\u00ed. O custo total do projeto \u00e9 de R$ 4,5 bilh\u00f5es e h\u00e1 a previs\u00e3o de entrega de 1,1 mil quil\u00f4metros at\u00e9 2010.<br><br>Manejo florestal consciente<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>Para que a gipsita se transforme em gesso, \u00e9 necess\u00e1rio realizar a calcina\u00e7\u00e3o (cozimento do min\u00e9rio para retirada de \u00e1gua). Esse procedimento \u00e9 feito em fornos, que funcionam em sua maioria com lenha retirada da caatinga, muitas vezes de forma ilegal e sem certifica\u00e7\u00e3o do Ibama. Buscando a conserva\u00e7\u00e3o do \u00fanico bioma tipicamente nacional, o instituto iniciou um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o e fiscaliza\u00e7\u00e3o no Araripe. &#8220;Come\u00e7amos h\u00e1 dois anos, para a compreens\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio conservar a caatinga para o pr\u00f3prio desenvolvimento do setor&#8221;, conta Jo\u00e3o Arnaldo Novaes, superintendente do Ibama-PE.<br><br>O \u00f3rg\u00e3o prop\u00f5e a implementa\u00e7\u00e3o do manejo florestal, para a retirada da madeira de forma ambientalmente correta. &#8220;N\u00e3o \u00e9 quest\u00e3o de n\u00e3o usar a lenha, mas de ter um plano de manejo para que seja poss\u00edvel contar com a caatinga para o resto da vida&#8221;, defende.<br><br>Como resultado, foi feito um cronograma de adequa\u00e7\u00e3o do P\u00f3lo Gesseiro \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o, o que gerou a interdi\u00e7\u00e3o de 41 empresas desde o ano passado. &#8220;A quest\u00e3o energ\u00e9tica \u00e9um problema da regi\u00e3o, mas h\u00e1 alternativas. Inclusive o uso da poda de caju do Rio Grande do Norte, Cear\u00e1 e Piau\u00ed. Ap\u00f3s a atua\u00e7\u00e3o do Ibama, quase todo o setor est\u00e1 com licen\u00e7a ambiental. H\u00e1 ind\u00edcios de que 80% a 90% da madeira j\u00e1 v\u00eam de origem legal&#8221;, comemora.<br><br>O presidente do Sindugesso, Josias Inojosa Filho, diz que a quest\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria e que os planos de manejo n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir a energia necess\u00e1ria. Para ele, as exig\u00eancias s\u00e3o muitas e como h\u00e1 v\u00e1rios posseiros na regi\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como comprovar a titularidade da terra, uma das exig\u00eancias para a aprova\u00e7\u00e3o do Ibama. &#8220;O gesso tem condi\u00e7\u00f5es de ser produzido de forma ambientalmente correta&#8221;, destaca.<br><br>P\u00f3lo Gesseiro do Araripe<br>Regi\u00e3o: Chapada do Araripe<br>Munc\u00edpios &#8211; Araripina, Bodoc\u00f3, Ipubi, Ouricuri e Trindade<br>Habitantes &#8211; 222.661<br>N\u00famero de empresas &#8211; 600* (150 mineradoras, 140 calcinadoras e mais de 530 f\u00e1bricas de pr\u00e9-moldados)<br>Empregos diretos &#8211; 12 mil<br>Indiretos &#8211; 64 mil<br>Produ\u00e7\u00e3o &#8211; 2,8 milh\u00f5es de toneladas\/ano<br>Faturamento anual &#8211; R$ 640 milh\u00f5es<br>Utiliza\u00e7\u00e3o do gesso &#8211; constru\u00e7\u00e3o civil, agricultura, medicina, odontologia, entre outras (cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar usada: R$ 1,64)<br>&#8211; Dados do Sindugesso IBGE<br><br>Juliana Cavalcanti<br>Especial para o Diario<br><strong>Fonte<\/strong>:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.pernambuco.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Di\u00e1rio de Pernambuco<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pernambuco possui 30% das reservas de gipsita do pa\u00eds e produz 95% do gesso consumido. 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