{"id":1066,"date":"2008-05-23T15:05:40","date_gmt":"2008-05-23T18:05:40","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1066"},"modified":"2020-10-21T03:34:28","modified_gmt":"2020-10-21T06:34:28","slug":"entrevista-marcelo-soares-bezerra-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1066","title":{"rendered":"Entrevista: Marcelo Soares Bezerra"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O engenheiro de minas, formado pela Universidade Federal de Pernambuco e P\u00f3s-graduado em engenharia econ\u00f4mica ressalta a necessidade de mudan\u00e7as de cultura de trabalho para o sucesso de coopera\u00e7\u00e3o entre pequenos produtores minerais, empres\u00e1rios e ind\u00fastrias do setor.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: O Serid\u00f3 tem tradi\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o mineral?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:<\/em><\/strong>&nbsp;A produ\u00e7\u00e3o mineral na regi\u00e3o de Serid\u00f3 (regi\u00e3o do semi-\u00e1rido nordestino entre os estados do Rio Grande do Norte e da Para\u00edba) data de pelo menos 60 anos, ainda na d\u00e9cada de \u201940, com o esfor\u00e7o de guerra patrocinado pelos EUA que incluiu a constru\u00e7\u00e3o da base militar, em Natal. Da regi\u00e3o extraiu-se o scheelita, mineral utilizado em ligas especiais na ind\u00fastria b\u00e9lica, aeron\u00e1utica, dentre outras. Essa atividade teve forte decl\u00ednio na d\u00e9cada de \u201990 com entrada da China no mercado mundial, praticando pre\u00e7os bastante baixos. Muitos mineradores da regi\u00e3o tiveram que migrar de atividade econ\u00f4mica.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: Como foi a recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o na \u00e1rea?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:&nbsp;<\/em><\/strong>A revitaliza\u00e7\u00e3o do potencial de explora\u00e7\u00e3o mineral passou pela estrutura\u00e7\u00e3o de Arranjos Produtivos Locais APL\u2019s de base mineral. Na regi\u00e3o, a extra\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada por c\u00e9lulas b\u00e1sicas muito pequenas, familiares at\u00e9, de 3 ou 4 pessoas; isso numa \u00e1rea de cerca de 20 mil quil\u00f4metros quadrados. As pessoas est\u00e3o espalhadas, praticamente isoladas umas das outras. Criar um ambiente de parceria e coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: Esse \u00e9 o maior desafio na sua opini\u00e3o?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Sim. Sem d\u00favida a mudan\u00e7a cultura, de h\u00e1bitos \u00e9 o passo mais dif\u00edcil de ser dado, especialmente, no come\u00e7o do processo. Conseguir passar para o garimpeiro\/minerador, muitas vezes isolado em \u00e1reas rurais distantes, que a coopera\u00e7\u00e3o na explora\u00e7\u00e3o, beneficiamento e negocia\u00e7\u00e3o do seu produto s\u00f3 agrega valor no final do processo n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. A informalidade \u00e9 um fator que precisa ser levado em considera\u00e7\u00e3o, especialmente nas quest\u00f5es de manejo e controle ambiental e da manuten\u00e7\u00e3o da qualidade do produto extra\u00eddo.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: \u00c9 a\u00ed que entra a parceira no APL?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Tamb\u00e9m. Ela est\u00e1 sempre presente. Desde o planejamento antes de qualquer trabalho, as parcerias v\u00eam da academia, da ind\u00fastria etc. No caso nosso do APL Pegamatitos do Rio Grande do Norte e Para\u00edba temos parcerias com 4 universidades: UFRN, UFPB, U.F. Campina Grande e a UFP; o Sebrae, CPRM, DNPM tanto federal quanto estadual tamb\u00e9m s\u00e3o parceiros fortes, al\u00e9m dos \u00f3rg\u00e3os ambientais. Temos 19 entidades parceiras: de \u00f3rg\u00e3os federais e estaduais, cooperativas, companhias de pesquisa mineral, Senai etc. A parcerias v\u00e3o desde melhores pr\u00e1ticas na extra\u00e7\u00e3o at\u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o com parceiros internacionais para a exporta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: Quais os ganhos para os produtores com as parcerias?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:<\/em><\/strong>&nbsp;Conseguimos, por exemplo, na cadeia do caulim, com o apoio de estudos acad\u00eamicos feitos em laborat\u00f3rio, promover mudan\u00e7as nas t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o que elevaram a produtividade de 30% para 70%. No come\u00e7o foi dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil introduzir uma nova t\u00e9cnica a pessoas que est\u00e3o acostumadas, por for\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o, a certas pr\u00e1ticas de trabalho. Resolvemos aplicar a pr\u00e1tica em duas minas pilotos para servirem de disseminadores. L\u00e1, aplicamos cursos de capacita\u00e7\u00e3o. No princ\u00edpio as pessoas ficam desconfiadas, mas depois quando v\u00eaem o resultado das mudan\u00e7as percebem que s\u00e3o para melhorar a vida delas.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: E as parcerias que n\u00e3o s\u00e3o na \u00e1rea da produ\u00e7\u00e3o?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:<\/em><\/strong>&nbsp;O Sebrae tem sido parceiro fundamental nas quest\u00f5es comerciais e t\u00e9cnicas, seus especialistas t\u00eam ajudado bastante. Na cadeia produtiva da car\u00e2mica, que envolve o feldspato, o beneficiamento feito atrav\u00e9s de moagem local elevou os ganhos de R$20 para R$90 o bloco. Foram criadas padr\u00f5es de qualidade para operar melhor no mercado e, tamb\u00e9m, agregar valor ao produto mineral. O \u2018mica\u2019 (muscovita- branco), utilizado como isolante t\u00e9rmico na ind\u00fastria de isolantes el\u00e9tricos, vai ser beneficiado no munic\u00edpio de Currais Novos (RN), um dos 3 p\u00f3los fomentados na regi\u00e3o. A Unimina fechou contrato com a multinacional su\u00ed\u00e7a Von Roll, em que ela garante a compra de toda a produ\u00e7\u00e3o dos cooperados, e a instala\u00e7\u00e3o de uma fabrica de beneficiamento, que quando conclu\u00edda, vai elevar de R$350 para R$1000&nbsp; o valor final por tonelada.<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: Os resultados s\u00e3o animadores, ent\u00e3o?<br><br>Marcelo Soares Bezerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Resultados assim est\u00e3o servindo de exemplo de como pequenos atos de coopera\u00e7\u00e3o podem surtir enormes efeitos. 10 cooperativas j\u00e1 foram regularizadas na regi\u00e3o e quatro est\u00e3o no processo de forma\u00e7\u00e3o. No perspectiva de atingir duas mil pessoas nessa primeira fase do processo. E cinco mil ao final, depois que outros projetos com parceiros como o Sebrae, Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o Nacional Banco do Nordeste, dentre outros, se realizarem. A expectativa \u00e9 de concluir estudos sobre a negocia\u00e7\u00e3o com outras cadeias produtivas como: a cer\u00e2mica, papel e celulose, borracha, eletro-eletr\u00f4nicos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Claudio Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jornalista da RedeAPLmineral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.redeaplmineral.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">RedeAPLmineral<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O engenheiro de minas, formado pela Universidade Federal de Pernambuco e P\u00f3s-graduado em engenharia econ\u00f4mica ressalta a necessidade de mudan\u00e7as de cultura de trabalho para o sucesso de coopera\u00e7\u00e3o entre pequenos produtores minerais, empres\u00e1rios e ind\u00fastrias do setor. 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