{"id":1012,"date":"2008-04-22T11:37:14","date_gmt":"2008-04-22T14:37:14","guid":{"rendered":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1012"},"modified":"2020-10-21T04:06:03","modified_gmt":"2020-10-21T07:06:03","slug":"entrevista-elzivir-guerra-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/redeaplmineral.org.br\/?p=1012","title":{"rendered":"Entrevista: Elzivir Guerra"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O coordenador do grupo de trabalho: Estrutura\u00e7\u00e3o, Gest\u00e3o e Desenvolvimento da RedeAPLmineral, doutor pela Escola de Minas da Universidade T\u00e9cnica de Freiberg (Alemanha), Elzivir Guerra, atua h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas no setor mineral.&nbsp;Elzivir Guerra&nbsp;inaugura s\u00e9rie de entrevistas do Portal da Rede, sua consolida\u00e7\u00e3o e os principais desafios enfrentados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Rede de&nbsp;Arranjos Produtivos Locais Mineral: Como foi concebida a id\u00e9ia da Rede APL de base mineral?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:&nbsp;<\/em><\/strong>A partir de 2003 o governo federal come\u00e7ou a fomentar a inser\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia, e inova\u00e7\u00e3o de tecnologia em micro e pequenas empresas que fossem do setor mineral e que estivessem organizadas em Arranjos Produtivos Locais. Foi a partir da\u00ed que se sentiu a necessidade de criar um sistema de informa\u00e7\u00e3o que era, inclusive, uma forte reivindica\u00e7\u00e3o dos micro e pequenos empres\u00e1rios do setor. Eles se queixavam de n\u00e3o ter acesso a informa\u00e7\u00f5es sobre: novas tecnologias, instrumentos de com\u00e9rcio e cr\u00e9dito ou de capacita\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o se resolveu criar a RedeAPLmineral. A Rede foi criada durante o 1\u00ba Congresso Brasileiro de Arranjos Produtivos Locais, em agosto de 2003.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral: Como se deu a organiza\u00e7\u00e3o da RedeAPLmineral?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Foi acordado que o MME e MCT seriam os gestores da forma\u00e7\u00e3o dessa Rede. Em novembro de 2004 a RedeAPLmineral teve seu primeiro encontro em Belo Horizonte durante o 2\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de Tecnologia para APLs de Base Mineral. Ficou definido que a Rede seria formada por uma Coordena\u00e7\u00e3o Geral e por v\u00e1rios grupos de discuss\u00e3o. Neste momento foi criado a primeira p\u00e1gina da RedeAPLmineral que ficou hospedada na rede brasileira de tecnologia. Mas foi apenas em 2006 que o Fundo do Setor Mineral apoiou a consolida\u00e7\u00e3o e o fortalecimento da RedeAPLmineral. A partir da\u00ed, costurou-se nova parceria entre o SGM\\ MME, SETEC\\MCT, o ABIPTI e o IBICT para a operacionaliza\u00e7\u00e3o da Rede. Foi realizado o primeiro encontro da Rede Brasileira de APLmineral em outubro de 2007, onde foi feito o lan\u00e7amento oficial do Portal da Rede e tamb\u00e9m a constitui\u00e7\u00e3o dos grupos de trabalho, que tiveram seus coordenadores indicados.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Como \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o da Rede?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:<\/em><\/strong>&nbsp;A Rede j\u00e1 tem atua\u00e7\u00e3o em pelo menos 24 estados. Inicialmente o foco de trabalho estava na caracteriza\u00e7\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o dos Arranjos Produtivos, que come\u00e7ou em 2002. Esse estudo inicial identificou cerca de 800 aglomerados minerais que teriam o potencial de se estruturarem como APLs. Ap\u00f3s nova triagem, chegou-se ao n\u00famero final de 249 aglomerados voltados principalmente para rochas e minerais industriais que incluem: agregados para a constru\u00e7\u00e3o civil, rochas ornamentais, gesso, sal e gema, cal e calc\u00e1rio, cer\u00e2mica estrutural e de revestimento e gemas e j\u00f3ias. Ao final de todo o processo, foram identificados 29 APLs priorit\u00e1rios que receberiam aten\u00e7\u00e3o especial da Rede.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Qual a import\u00e2ncia dos APLs de base mineral no universo dos arranjos produtivos locais?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Em 2003 surgiu o grupo de trabalho permanente para Arranjos Produtivos Locais de uma forma geral, coordenado pelo MDIC. Esse grupo elegeu 11 APLs pilotos, no pa\u00eds inteiro, para desenvolverem metodologias de apoio e aumento de produtividade. Desses, dois eram de base mineral: o APL de Gesso em Ariripina (PE) e o de Rochas Ornamentais no (ES). Em 2004\\5 foram eleitos mais 5 APLs priorit\u00e1rios por estado, totalizando cerca de 142, e desses, 35 s\u00e3o de base mineral. Isso demonstra a import\u00e2ncia do setor mineral na economia e como vetor de desenvolvimento de pequenos e m\u00e9dios produtores.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Como os arranjos est\u00e3o distribu\u00eddos?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:<\/em><\/strong>&nbsp;Nesse per\u00edodo o CT mineral tem apoiado, junto com o MME, o desenvolvimento de 25 APLs. H\u00e1 os de produ\u00e7\u00e3o de Cer\u00e2mica Vermelha que est\u00e3o presentes no Amap\u00e1, Acre, Tocantins, e tamb\u00e9m no baixo Jaguaribe e no norte goiano. No Par\u00e1 h\u00e1 APL de gemas e j\u00f3ias; no Piau\u00ed existe o APL de Opala; no Cear\u00e1, h\u00e1 o calc\u00e1rio-Cariri; no RN e PB h\u00e1 o APL conjunto de pegmatito; E Em PE h\u00e1 o APL de gesso. APLS de Rochas Ornamentais s\u00e3o encontrados na Bahia, onde se explora o Bege Bahia; no Esp\u00edrito Santo; no RJ, em Padre Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua. Em Pirin\u00f3plis (GO), h\u00e1 o quartzito; e em MG temos 4 APLs: gemas e j\u00f3ias do Vale do Jequitinhonha, quartzito de S\u00e3o Tom\u00e9 das Letras, ard\u00f3sia de papagaio e pedra sab\u00e3o na regi\u00e3o de Ouro Preto; em Santa Catarina h\u00e1 a cer\u00e2mica de revestimento; no Paran\u00e1 h\u00e1 o cal e calc\u00e1rio; no Rio Grande do Sul h\u00e1 o gemas e j\u00f3ias do estado. Ainda n\u00e3o h\u00e1 APLs de base mineral em RO, RR, AM, MS, ou MT.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Como se forma uma Rede t\u00e3o complexa?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:<\/em><\/strong>&nbsp;Foi utilizada uma metodologia escolhida para apoiar micro e pequenas empresas onde decidimos que a implementa\u00e7\u00e3o seria feita por meio da constru\u00e7\u00e3o de uma rede cooperativa: de aprendizagem, interativa e de inova\u00e7\u00e3o; onde envolveria \u00f3rg\u00e3os da esfera social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, isto \u00e9, unindo segmentos dos governos federal, estadual e municipal com os empres\u00e1rios e as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e \u00f3rg\u00e3os de desenvolvimento regionais e setoriais.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Como est\u00e1 sendo a aceita\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores \u00e0 essa nova maneira de trabalhar?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:<\/em><\/strong>&nbsp;Qualquer inova\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o requer uma mudan\u00e7a de mentalidade. As pessoas precisam come\u00e7ar a pensar em parcerias e coopera\u00e7\u00e3o. E para isso ocorrer adotamos certa metodologia onde se introduz a figura do coordenador local. Esse coordenador atua, exatamente, na cria\u00e7\u00e3o e formata\u00e7\u00e3o dessas redes de parcerias, fortalecendo os elos entre essas institui\u00e7\u00f5es, alterando a maneira individualista de trabalhar para uma mais cooperativa. Apoiamos, ainda, a metodologia do extensionismo mineral, onde se tem t\u00e9cnicos contratados que fazem o trabalho de transfer\u00eancia e difus\u00e3o de tecnologias j\u00e1 desenvolvidas pelas institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia e tecnologia para o setor produtivo. Esses extensionistas tamb\u00e9m atuam apoiando e dando assist\u00eancia ao setor produtivo, principalmente, na quest\u00e3o da formaliza\u00e7\u00e3o da atividade, e tamb\u00e9m no apoio a busca e capta\u00e7\u00e3o de recursos na \u00e1rea de fomento e das institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;E os resultados dessa inova\u00e7\u00e3o?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:<\/em><\/strong>&nbsp;Acredito que aferi\u00e7\u00f5es devem levar em considera\u00e7\u00e3o escalas maiores de tempo, uma d\u00e9cada por exemplo, para que cada uma dessas aglomera\u00e7\u00f5es possa desenvolver seu pr\u00f3prio plano de desenvolvimento, seus instrumentos e mecanismos de capta\u00e7\u00e3o de recursos e da inser\u00e7\u00e3o de tecnologias e inova\u00e7\u00f5es. Isso requer, tanto forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos como tamb\u00e9m mudan\u00e7a da mentalidade: de se trabalhar em conjunto para que todos possam ganhar no final. O caso da formaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um caso t\u00edpico. Se for feita de forma conjunta em negocia\u00e7\u00e3o com os \u00f3rg\u00e3os e di\u00e1logo com todas as institui\u00e7\u00f5es \u00e9 muito mais f\u00e1cil para solicitar a legaliza\u00e7\u00e3o em termos mineral ou ambiental.&nbsp;<br><br><em><strong>RedeAPLmineral:&nbsp;Os produtores compreendem as facilidades de se trabalhar em Rede?<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Elzivir Guerra:<\/strong><\/em>&nbsp;As t\u00e9cnicas de explora\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores t\u00eam sido passadas de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, e para as diversas fam\u00edlias que sobrevivem da atividade t\u00eam funcionadas bem. Ent\u00e3o leva trabalho para convencer esses produtores que h\u00e1 outras t\u00e9cnicas que podem, inclusive, ser mais rent\u00e1veis e saud\u00e1veis e, ainda, melhorar bastante a produtividade deles. Isso requer um processo de troca de conscientiza\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a de mentalidades. Um exemplo disso \u00e9 o que ocorreu no RS, onde foi introduzida a metodologia da extra\u00e7\u00e3o \u00famida que reduziu drasticamente os casos de silicose na popula\u00e7\u00e3o mineira. Al\u00e9m da melhoria substancial na sa\u00fade do trabalhador, a t\u00e9cnica ainda traz mais efici\u00eancia e produtividade para o seu neg\u00f3cio. Mesmo assim, ainda se encontrou muita resist\u00eancia por parte dos produtores.&nbsp;<br><br><strong><em>RedeAPLmineral:&nbsp;Esse \u00e9 o maior desafio da Rede?<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elzivir Guerra:&nbsp;<\/em><\/strong>Talvez o maior desafio seja a integra\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0 Rede APLmineral. H\u00e1 certa resist\u00eancia para a utiliza\u00e7\u00e3o desse meio, seja pela quest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o, que talvez precise ser equacionada, ou mesmo pela falta de conhecimento dos interessados da pr\u00f3pria exist\u00eancia da RedeAPLmineral. S\u00e3o dois pontos que precisam ser solucionados para a correta fomenta\u00e7\u00e3o e operacionaliza\u00e7\u00e3o da Rede. Ainda n\u00e3o conseguimos motivar, criar a cultura, nos pequenos produtores, de utilizar a internet para procurar solucionar os problemas de ordem t\u00e9cnica, tecnol\u00f3gica, credit\u00edcia ou mesmo de organiza\u00e7\u00e3o do trabalho. Talvez esteja faltando uma maior divulga\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a adequa\u00e7\u00e3o da linguagem dos instrumentos as necessidades dos usu\u00e1rios.&nbsp;<br><br><strong>Por Claudio Almeida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Jornalista da RedeAPLmineral<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fonte:&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.redeaplmineral.org.br\/\">RedeAPLmineral<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"block-rodapeconteudo-menu\"><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O coordenador do grupo de trabalho: Estrutura\u00e7\u00e3o, Gest\u00e3o e Desenvolvimento da RedeAPLmineral, doutor pela Escola de Minas da Universidade T\u00e9cnica de Freiberg (Alemanha), Elzivir Guerra, atua h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas no setor mineral.&nbsp;Elzivir Guerra&nbsp;inaugura s\u00e9rie de entrevistas do Portal da Rede, sua consolida\u00e7\u00e3o e os principais desafios enfrentados. 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